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As moedas europeias se fortaleceram frente ao dólar ontem, com ganhos semelhantes para a libra — um sinal de que a forte leitura do payrolls dos EUA na sexta-feira já foi integralmente precificada pelo mercado. Os traders agora passaram a precificar os dados de inflação previstos para o fim da semana e, antes disso, a reunião do Banco Central Europeu na quinta-feira; aqueles que ainda não haviam incorporado uma alta dos juros aos preços estão ajustando suas posições agora.
A segunda-feira foi calma devido ao feriado do Dia do Trabalho nos EUA, mas a zona do euro trouxe uma surpresa importante nos dados. O PIB do segundo trimestre foi revisado para cima, para 0,6% na comparação trimestral (UE: +0,7%), superando, em termos formais, o crescimento de 0,4% dos EUA no mesmo período. À primeira vista, isso parece indicar uma virada na economia europeia, mas a composição do crescimento conta uma história bem diferente.
As exportações líquidas contribuíram com 0,9 ponto percentual para o PIB da zona do euro, o consumo das famílias com apenas 0,2 ponto percentual, enquanto os gastos do governo e a formação bruta de capital fixo foram negativos, subtraindo 0,5 ponto percentual no total, segundo o Eurostat. Em outras palavras, o crescimento é totalmente puxado pelas exportações; a demanda interna teve participação mínima. Exportadores e produtores de bens de capital se beneficiam, enquanto o varejo e os serviços voltados ao consumidor ficam para trás.
Há muitas evidências recentes que corroboram essa visão. As vendas no varejo da zona do euro despencaram 0,6% em julho, em vez do aumento de 0,3% esperado, depois de uma queda de 0,3% no mês anterior. O emprego cresceu apenas 0,1% no trimestre, e o relatório alemão divulgado ontem mostrou uma forte queda de 1,1% na produção industrial, contra um consenso de +0,1% e após um aumento de +0,2% em junho. Por essas razões, não considero a revisão para cima do PIB um sinal de recuperação duradoura: a expansão do bloco hoje é uma bolha puxada pelas exportações e, quando a demanda externa desacelerar enquanto os componentes domésticos não mostrarem recuperação, o crescimento agregado da zona do euro provavelmente recuará.
Por que, então, o euro sobe com esses dados? Porque o quadro é interpretado de forma diferente pelo BCE. Uma expansão trimestral de 0,6% reduz o argumento para que o BCE permaneça acomodatício, transformando a revisão em um argumento a favor de um aperto da política monetária para combater a inflação. Essa expectativa apoia o euro agora, enquanto os participantes do mercado deixam em segundo plano o problema da fraqueza da indústria e do consumo. Os vencedores, nessa visão, são os detentores de euros. Os perdedores são as indústrias alemãs, que enfrentam menor produção ao mesmo tempo em que lidam com condições monetárias mais restritivas.
A agenda de hoje é tranquila em ambos os lados do Atlântico. Para a zona do euro, estão previstos os saldos comerciais externos da Alemanha e da França — justamente os itens que sustentam o crescimento recente —, portanto, merecem atenção. Não há outros dados macroeconômicos importantes da zona do euro ou do Reino Unido, de modo que o foco se voltará para os discursos de autoridades do Banco da Inglaterra e do BCE, bem como para as audiências parlamentares sobre o relatório de política monetária do Banco da Inglaterra. As estatísticas dos EUA se limitam ao índice de confiança das pequenas empresas e aos volumes de crédito ao consumidor, e é improvável que qualquer um desses dados cause movimentos significativos nos mercados cambiais.
Visão técnica
EUR/USD: No gráfico de 1 hora, caso ocorra uma alta, pretendo vender em 1,1641 se houver um falso rompimento, com alvo de queda em 1,1621. Se os vendedores não conseguirem se sustentar em 1,1641, adie as posições vendidas para 1,1650, em caso de perda de sustentação, ou venda após uma recuperação a partir de 1,1673, visando um movimento de 15 a 20 pips. Para os compradores, o nível crítico a ser defendido é 1,1621. Um falso rompimento abaixo desse nível seria um sinal para aumentar as posições compradas, dando continuidade à fase de alta que começou em 2 de setembro. Se não houver compradores em 1,1621, aguarde para comprar em 1,1601 (ou compre após uma recuperação a partir de 1,1587), com o mesmo alvo de 15–20 pips.
GBP/USD: A libra esterlina enfrenta um cenário semelhante, mas está limitada pela resistência em 1,3545, nível já testado quatro vezes. Um rompimento e uma consolidação acima de 1,3545 abririam caminho para 1,3573, com uma extensão adicional até 1,3596, onde eu procuraria vender após uma recuperação, visando um movimento de 20 a 25 pips. Entradas em posições vendidas durante movimentos de alta em direção a 1,3573 seriam válidas em caso de um falso rompimento em 1,3545. Nesse caso, espero que o par permaneça dentro de uma faixa de oscilação e teste os níveis de suporte de 1,3521 e 1,3501, onde a compra só seria prudente caso esses níveis não se sustentem. Eu consideraria comprar após uma recuperação próxima a 1,3480, visando um movimento de 20–25 pips.
Perspectiva
Até quinta-feira, vejo vantagem para os compradores de ativos de risco, como o euro e a libra esterlina. O relatório de empregos não agrícolas de sexta-feira já foi precificado, e não há nenhum novo catalisador para o dólar até a divulgação dos dados de inflação, enquanto a reunião do BCE pesa contra o dólar no par EUR/USD. Nas próximas sessões, espero novas tentativas do par EUR/USD de avançar para a extremidade superior de sua faixa de variação. Para que o par GBP/USD siga o mesmo caminho, a libra precisa superar a marca de 1,3545, o que é improvável sem um sinal claro do Banco da Inglaterra.
*A análise de mercado aqui postada destina-se a aumentar o seu conhecimento, mas não dar instruções para fazer uma negociação.
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