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Na quarta-feira, os principais banqueiros centrais do mundo discursaram em um fórum econômico realizado em Portugal. Os presidentes de três bancos centrais-chave — o Banco da Inglaterra, o Federal Reserve e o Banco Central Europeu (BCE) — apresentaram suas perspectivas, e o mercado deverá continuar se apoiando nessas declarações nas próximas semanas.
O que disse Christine Lagarde? Vale lembrar que, anteriormente, a presidente do BCE defendeu diversas altas de juros, argumentando que "a crise energética já havia prejudicado a economia da União Europeia de qualquer forma, enquanto a inflação se afastou significativamente da meta e não retornaria a ela por conta própria". Nesse contexto, o BCE demonstrava inclinação para manter o aperto monetário em julho.
Entretanto, o discurso mais recente de Lagarde indicou que o BCE poderá rever essa postura caso a inflação continue desacelerando. Em junho, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) recuou para 2,8%, aproximando-se da meta de 2%. Se a inflação continuar cedendo nos próximos meses, qual seria a justificativa para manter o ciclo de aperto? Também é importante destacar que o euro se desvalorizou mesmo durante o período em que o BCE elevava os juros. Caso o banco central abandone novas altas, a moeda europeia poderá enfrentar pressões adicionais de baixa.
Por outro lado, é preciso lembrar que os movimentos recentes do mercado nem sempre seguiram uma lógica fundamental clara. O Federal Reserve (Fed) também poderá desistir de novos aumentos de juros — medida que, em grande parte, já foi precificada pelos investidores — caso a inflação americana continue desacelerando naturalmente. Kevin Warsh é considerado próximo de Donald Trump, e o presidente dos Estados Unidos dificilmente veria com bons olhos um novo aperto monetário. Embora Warsh não tome decisões sozinho, ele pode influenciar o Comitê de Política Monetária a evitar uma postura excessivamente agressiva.
Ele poderá citar os exemplos da União Europeia e do Reino Unido, onde a inflação começou a recuar sem necessidade de medidas adicionais. Com o tempo, os índices de preços podem retornar aos níveis-alvo. Em nossa avaliação, o Fed tende, no mínimo, a adiar qualquer novo aperto pelo maior tempo possível — cenário que, novamente, já parece amplamente refletido nos preços dos ativos.
Assim, de forma paradoxal, uma postura mais dovish por parte do BCE poderia acabar sustentando o euro, uma vez que o dólar continua sendo o principal fator de direcionamento do mercado. E a moeda americana ainda carece de fundamentos suficientemente robustos para sustentar uma tendência de valorização de longo prazo.
Além disso, o gráfico diário mostra claramente que o par está sendo negociado próximo das duas mínimas mais recentes, e todo o comportamento dos preços ao longo do último ano pode ser interpretado como um amplo movimento lateral. Portanto, não se pode descartar a possibilidade de estarmos nos estágios iniciais de uma nova e prolongada tendência de valorização do euro.
A volatilidade média do par EUR/USD nos últimos cinco dias de negociação, até 3 de julho, é de 69 pontos, classificada como "moderada". Esperamos que o par seja negociado entre 1,1379 e 1,1517 nesta sexta-feira. O canal de regressão linear superior mudou de direção para baixo, indicando uma continuação da tendência de baixa. O indicador CCI entrou em território de sobrevenda e formou duas divergências de alta, sinalizando um possível fim da tendência de baixa.
Recomendações de negociação:
O par EUR/USD mantém uma tendência de baixa, que provavelmente representa uma correção dentro de uma tendência de alta mais ampla de longo prazo, claramente visível nos gráficos diário e semanal. O pano de fundo fundamental de longo prazo para o dólar continua desfavorável, mas, em 2026, primeiro os fatores geopolíticos e, posteriormente, a postura hawkish do Federal Reserve forneceram forte suporte à moeda americana.
Enquanto o preço permanecer abaixo da média móvel, podem ser consideradas posições vendidas, com alvos em 1,1353 e 1,1292. Acima da média móvel, passam a ser favorecidas posições compradas, com objetivos em 1,1517 e 1,1536. No momento, os ursos mantêm um domínio expressivo sobre o mercado, sem que haja uma justificativa fundamental clara para isso.
Explicações sobre o gráfico:
*A análise de mercado aqui postada destina-se a aumentar o seu conhecimento, mas não dar instruções para fazer uma negociação.
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