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10.02.202618:18 Forex Analysis & Reviews: O "inverno das criptomoedas" está chegando

Exchange Rates 10.02.2026 analysis

O dólar permanece sob pressão antes da divulgação de dados macroeconômicos relevantes dos EUA. Ainda assim, a moeda norte-americana mantém sua atratividade frente às criptomoedas, em parte porque se espera que o Federal Reserve preserve o status quo da política monetária. Na reunião mais recente, o FOMC manteve a taxa básica na faixa de 3,50% a 3,75%, citando crescimento econômico resiliente e riscos reduzidos, tanto de aceleração inflacionária quanto de aumento do desemprego.

O mercado cripto, por sua vez, atravessa um dos períodos mais desafiadores dos últimos anos. O Bitcoin é negociado atualmente em torno de US$ 69.000, cerca de 50% abaixo das máximas registradas em outubro de 2025 (aproximadamente US$ 125.000), enquanto o Ethereum apresentou apenas uma recuperação parcial, sendo cotado próximo de US$ 2.010.

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A capitalização do mercado de criptomoedas está diminuindo, e o Índice de Medo e Ganância está estagnado em 9, indicando "medo extremo". A situação atual é resultado de um conflito entre fortes forças macroeconômicas externas e problemas internos do setor, o que gera dúvidas sobre as perspectivas de crescimento no curto prazo.

Por que o mercado de criptomoedas está passando por uma correção profunda?

  1. Tempestade macroeconômica e fuga do risco. O principal catalisador da queda é a mudança no sentimento global. Em meio a tensões geopolíticas — incluindo o risco de um conflito entre EUA e Irã — e à incerteza em torno da política comercial norte-americana, investidores vêm abandonando ativos de risco em larga escala. Apesar da narrativa de "ouro digital", as criptomoedas não conseguiram atuar como porto seguro, perdendo espaço para o ouro tradicional. O capital, por ora, busca refúgios já testados.
  2. Política monetária do Fed: dinheiro caro continua. Embora a inflação nos EUA esteja arrefecendo — com o CPI projetado para desacelerar a 2,5% — e o mercado de trabalho aparente estabilidade, o Federal Reserve não demonstra urgência em promover um afrouxamento monetário agressivo. A maioria dos economistas projeta no máximo dois cortes de juros em 2026, com o primeiro possivelmente em junho. Esse ambiente de custos elevados de financiamento drena do mercado cripto a liquidez barata, principal combustível para ralis de alta.
  3. Incerteza regulatória e crise de confiança. No plano doméstico, pesa a incapacidade do Congresso de aprovar uma regulamentação abrangente para criptomoedas, como o projeto CLARITY. Conforme observou o membro do FOMC Christopher Waller, esse vácuo regulatório afasta grandes investidores institucionais, que evitam ampliar exposições sem segurança jurídica. Soma-se a isso a resistência no Senado à indicação de Kevin Warsh para a presidência do Fed, motivada por preocupações com a independência do banco central, o que adiciona risco político ao cenário.
  4. Saídas institucionais e mudança de comportamento dos grandes detentores. Os números reforçam o diagnóstico. Houve saídas expressivas de ETFs, com retirada líquida de US$ 510 milhões em 30 de janeiro, incluindo US$ 528 milhões apenas do principal ETF da BlackRock (IBIT). O total de ativos sob gestão em ETFs de cripto recuou para US$ 107 bilhões. Paralelamente, grandes detentores de BTC migraram de compras em correções para vendas líquidas, enquanto investidores de varejo evitam "pegar a faca caindo". Analistas do setor, por sua vez, não identificam sinais de acumulação ativa no curto prazo.

Amanhã (13h30 GMT), a comunidade de investidores estará atenta aos dados do mercado de trabalho dos EUA. Se os números corresponderem às expectativas (desemprego estável em 4,4% e folha de pagamento aumentando de 50 mil para 70 mil), a demanda por hedges em dólar e refúgios seguros continuará a aumentar, pressionando as criptomoedas e outras alternativas ao dólar.

Quadro técnico

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BTC/USD

Para o BTC/USD, o cenário permanece bastante vulnerável. O preço é negociado próximo a um suporte de longo prazo em torno de US$ 68.300 (EMA de 200 semanas), porém segue bem abaixo das médias móveis de médio prazo — a EMA de 200 dias, em US$ 95.700, e a EMA de 50 dias, em US$ 84.100 — o que confirma a força da tendência de baixa.

Suporte-chave: US$ 60.000.

Uma quebra desse nível, de forte relevância psicológica e técnica, abriria espaço para um movimento em direção à faixa de US$ 52.500–50.000.

Resistência-chave: US$ 84.000, região próxima à EMA de 50 dias no gráfico diário. Apenas um rompimento consistente acima dessa zona poderia desencadear uma recuperação mais ampla, com alvo em US$ 92.000–95.000.

Os indicadores técnicos (OsMA, RSI e Estocástico) no gráfico de 1 hora seguem apontando viés de baixa.

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ETH/USD

O Ethereum está caminhando para as mínimas de abril (US$ 1.400,00 – US$ 1.700,00) e está ainda mais fraco. Sua recuperação parece mais um salto técnico em meio a um cenário amplamente negativo. A dinâmica futura estará altamente correlacionada com o BTC.

Perspectivas e cenários possíveis

Apesar da queda geral, há sinais de rotação de capital e desenvolvimentos construtivos no ecossistema:

  1. Rotação para altcoins. Estão sendo observados influxos moderados para ETFs na Ethereum e Solana, sugerindo que parte do capital está sendo realocado dentro do mercado de criptomoedas em busca de retornos potenciais mais elevados.
  2. Foco em segurança e desenvolvimento. O ecossistema Ethereum está reforçando os esforços antifraude (colaboração com a Security Alliance), e Vitalik Buterin está explorando a integração da IA para melhorar a segurança e a experiência do usuário — indicando um trabalho de infraestrutura de longo prazo.

Caso base (continuação da consolidação e da pressão): É o cenário mais provável caso as condições atuais persistam — retórica hawkish do Fed, riscos geopolíticos e impasse regulatório. Nesse contexto, o BTC tende a oscilar em uma faixa entre US$ 50.000 e US$ 70.000, enquanto o ETH deve permanecer sob pressão. O mercado seguirá à espera de catalisadores mais claros.

Cenário negativo (aprofundamento da correção): Esse cenário se materializaria caso o BTC rompa a região de US$ 65.000–55.000, seja em resposta a dados de emprego dos EUA mais fortes — que empurrariam para frente as expectativas de afrouxamento monetário —, seja diante de uma nova onda de pânico. Nesse caso, os alvos passariam a ser a faixa de US$ 50.000–45.000.

Cenário positivo (recuperação): Uma reversão mais construtiva seria possível diante de sinais dovish inesperados do Fed, avanços regulatórios decisivos nos EUA ou do retorno de entradas institucionais sustentadas em ETFs. O primeiro sinal técnico relevante seria o BTC se manter acima de US$ 72.300–72.500, região correspondente à EMA de 200 períodos no gráfico horário.

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Conclusão

O mercado de criptomoedas atravessa um "inverno cripto", desencadeado principalmente por fatores externos. O quadro atual reflete com clareza o ambiente de investimento: o Índice de Medo e Ganância permanece em nível extremo de medo (9), enquanto os fluxos de capital para ETFs seguem contidos, recuperando-se apenas de forma parcial após as expressivas saídas recentes.

As perspectivas de curto prazo continuam incertas e dependem fortemente das condições macroeconômicas e das ações dos reguladores. A confiança dos investidores encontra-se significativamente abalada.

Nesse contexto, a estratégia "buy and hold", a compra de ações de boas empresas e sua manutenção em carteira por um bom tempo, é colocada à prova. Investidores devem adotar cautela redobrada, encarando os níveis atuais mais como zonas de risco elevado do que como pontos claros de entrada. A chave para uma reversão sustentável da tendência está fora do próprio setor: uma orientação mais clara da política monetária do Federal Reserve, a redução das tensões geopolíticas e a tão necessária clareza regulatória, capaz de restaurar a confiança institucional.

Até que esses vetores se alinhem, o mercado de criptomoedas deverá continuar operando sob a sombra do "medo extremo".

*A análise de mercado aqui postada destina-se a aumentar o seu conhecimento, mas não dar instruções para fazer uma negociação.

Jurij Tolin,
Analytical expert of InstaSpot
© 2007-2026
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